Valores Sociais e Ideologias

Introdução

Vivemos hoje, numa sociedade onde a crise de valores é cada vez mais nítida, fruto das alterações sociais e organizacionais, particularmente sentida nos conflitos geracionais, às quais se juntam as crises económicas, que por empatia se alastram e sacodem a estabilidade social.

As sociedades acuais, caracterizam-se na sua “genética”, por assentarem em conceitos organizacionais que defendem normas, instituem e fazem cumprir regras, que defendem ideologias, ou vários tipos de associativismo e de corporativismo, focando muitas delas, conceitos de organizações positivas, aquelas que nesta abordagem, tentaremos contextualizar.

Tentaremos aqui, salientar o enfoque social dado aos Digital Native versus Digital Immigrants, pois nestes encerra uma questão atual de convivência social e profissional. Será aqui, no “conflito geracional”, que as grandes reformas sociais ao nível dos valores devem ser feitas, sob pena de se perderem as conquistas norteadoras do pensamento contemporâneo, muitos delas obtidas com o advento da Revolução Francesa.

Se falar de Liberdade, Igualdade e Fraternidade no final do séc. XVIII já era posicionar o pensamento sobre a sociedade num patamar nunca antes visto, manter esses valores torna-se, nas sociedades contemporâneas, onde “o futuro é já hoje”, igualmente difícil. A instabilidade tende para o caos e as sociedades procuram o equilíbrio, através do bem-estar dos seus cidadãos. Daí a necessidade de haver uma cultura social e organizacional baseada na qualidade de vida percebida, ou seja, a percepção do indivíduo sobre sua posição na vida, no contexto da cultura e dos sistemas de valores nos quais ele vive, e ainda em relação aos seus objectivos, expectativas, padrões e preocupações.

“Valores Sociais e Ideologias”, o tema escolhido para ser desenvolvido, foi-o precisamente, pela empatia que criou no grupo no ato da escolha e pela pertinência da questão na sociedade em que vivemos.

1 – Breve abordagem ao tema

    Não seria possível compreender valores sociais e conceitos ideológicos ou perceber o que levou à existência de certas formas de política, sem fazer uma abordagem histórica. Nem seria útil dissertar sobre estas, sem saber à partida, o que se entende por Organização.

“Valores Sociais e Ideologias”, afinal do que falamos quando abordamos os temas que foram o motor de muitas convulsões sociais, que moldaram o pensamento do Homem e a geografia política dos continentes, que ditaram novas formas de encarar as relações de convivência em sociedade. Partindo da ideia de que não pode existir indivíduos sem sociedade nem sociedade sem indivíduos, deve entender-se Sociedade como um agrupamento de indivíduos de uma determinada espécie, que se reuniram segundo determinadas normas e concorrem juntos para a realização de determinados objectivos. Pode-se definir ainda, sociedade, como sendo um grupo extenso e duradouro, que se junta num espaço e que responde a uma necessidade primeira de apoio e proteção, uma tendência fundamental no homem, sendo mais fácil essa aquisição vivendo em conjunto. (diz respeito a todos os seres vivos, incluindo os animais).

Esses grupos unem as suas individualidades, estruturando-se pelas suas dependências recíprocas e tendem para o desenvolvimento. Geralmente quando se fala de sociedade, fala-se do ser humano, e neste caso é o conjunto no qual a vida do homem está integrada, tendo em conta as suas ocupações, os seus desejos e os seus atos. Estas sociedades têm um carácter mais dinâmico, já que mais facilmente tendem para a mudança e para a evolução.

Cada vez mais a sociedade moderna tem um carácter urbano, transformando-se numa multiplicação dos centros de interesse relacionais e tendo como objectivo o desenvolvimento, já não meramente pessoal, mas da comunidade, que, com o seu percurso, servem de alicerce ao desejável bem-estar positivo no seio das organizações. (In Diciopédia X [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2006. ISBN: 978-972-0-65262-1)

“Recorrendo ao conceito clássico, podemos definir qualquer organização, como um conjunto de duas ou mais pessoas que realizam tarefas, seja em grupo, seja individualmente, mas de forma coordenada e controlada atuando num determinado contexto ou ambiente com vista a atingir um objectivo determinado através da afectação eficaz de diversos meios e recursos disponíveis, liderados ou não, por alguém com as funções de planear, organizar, liderar e controlar.”

(www.notapositiva.comTrabalho de professores, Textos de Apoio – Paulo Nunes – Economista e Consultor 2005)

Como Organização deve entender-se como um sistema interpessoal de esforços humanos coordenados ou como um sistema de papéis sociais, em que o papel social é definido pelas normas sociais (1997, Gold – A new outline of social psychology. Washington: American Psychological Association).

A organização apresenta, ao mesmo tempo, uma estrutura – que define o tipo de inter-relações que podem existir entre as unidades ou entidades que a compõem – e um processo – definido pelo modo como se constituem as unidades ou entidades e o tipo de interacções que as ligam (Thinès e Lempereur, 1984). In Diciopédia X [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2006. ISBN).

Por isso, julgou-se fundamental a compreensão dos conceitos inerentes às questões sociais e ideológicas, que tentaremos abordar num contexto de bem-estar psicológico, somente alcançável em organizações positivas, e enquadra-las nas sociedades atuais.

Assim, convém ter presente o seguinte:

A qualidade de vida percebida decorre de um conjunto complexo de factores que promovem a dignidade da pessoa enquanto ator dos desafios que as organizações subscrevem.

Adaptação, é uma palavra forte que deve ser encarada como uma (entre várias), fundamental para ultrapassar os constantes desafios, sendo a inteligência emocional a capacidade para:

auto controlo; conhecer as próprias emoções (reconhecer um sentimento quando este ocorre

guiar as emoções (manejar sentimentos para que sejam adequados);
auto-regulação controlar a própria motivação (ordenar emoções ao serviço de um objectivo);
inter-pessoal reconhecer emoções nos outros.

Organizações positivas pressupõe sociedades positivas e o equilíbrio das últimas faz funcionar a economia, augura a Paz e o bem-estar instala-se.

“Tudo o que é necessário para o triunfo do mal, é que os Homens de bem, nada façam”

Edmund Burke

2 – O que se entende por Valores Sociais

Muitos, ou grande parte dos valores, que têm moldado a sociedade e cultura ocidentais assenta sobre fortes dogmas judaico-cristãos que resistem às mudanças sociais numa tentativa constante de os manter atuais.

No século I, depois de 67, o pensamento ocidental, baseava-se em premissas cristãs e “desde o seu nascimento que os ensinamentos sobre a igual dignidade dos seres humanos seduziu os escravos e os meios mais pobres, mas ao pregar um Deus único, atraiu também mentes brilhantes pertencentes às classes média e à aristocracia.”

(in, Abecedário do Cristianismo, Chavrot, Pierre e Potin, Jean (Público) Edição Portuguesa da Reborne.)

Valores Sociais entendem-se, ou correspondem, a maneiras de ser, de pensar ou de agir, reconhecidas como desejáveis. Genericamente, pode dizer-se que não é possível a existência de um grupo humano sem que tenham sido definidos implicitamente ou explicitamente os seus valores. A expressão escrita e oral, os símbolos e os objetos, são meios que os indivíduos dispõem para aceder aos valores. Estes mesmos valores servem como guia das condutas.

Quanto à pertinência de valores, Durkheim, considerava que os valores míticos e religiosos, que funcionaram como crenças nas sociedades tradicionais, serviram para exercer o controlo e a coesão sociais, e para inspirar as avaliações e as motivações das pessoas. É assim que, nas sociedades tradicionais de solidariedade mecânica, os indivíduos estão integrados por valores comuns, que se lhes impõem, garantindo a coesão social. Já nas sociedades modernas de solidariedade orgânica verifica-se, segundo ainda Durkheim, uma erosão dos valores, graças ao aumento do individualismo e à desintegração das ligações sociais originadas pelo desenvolvimento da divisão do trabalho.

“Falar de valores é uma maneira indireta de descrever o tipo de vida que se pretende levar. Por isso, as pessoas organizam a sua vida de muitas maneiras diferentes, espera-se, por conseguinte, que as ações que parecem perfeitamente normais numa cultura sejam rejeitadas e condicionadas noutra”. (J. Hessen (1967) Filosofia dos valores. Coimbra, Arménio Amado, pp.22-23)

Parsons (1951), que consagrou a existência de quatro subsistemas interdependentes – cultural, político, económico, societal -, remete cada um deles para quatro tipos de valores.

. O subsistema cultural mantém os modelos valorizados da acção.

. O subsistema político assegura a função de realização das finalidades colectivas.

. O subsistema societal assegura a função de integração social dos indivíduos e

. O subsistema económico a função de adaptação (controlo, exploração e transformação do meio ambiente).

São, portanto, os sistemas que asseguram a função de reprodução dos valores.
A questão da pertinência dos valores coloca a relação entre os valores (morais, religiosos, políticos, estéticos) e as culturas, na própria medida em que existem relações entre as formas de vida ou as visões do mundo e o quadro de valores que as orientam. Há uma multiplicidade de valores, variando estes conforme as sociedades e as culturas, e também conforme as épocas históricas; por isso se fala da relatividade histórica dos valores.

Ora, a pluralidade dos valores é acompanhada também da existência de sistemas de valores relativamente abertos.

Novos valores podem sempre vir a integrar um sistema (moral, político, cultural ou religioso), desde que seja assegurada uma coerência mínima entre os valores de um mesmo sistema. Com efeito, uma cultura de valores democráticos, por exemplo, é incompatível com o autoritarismo e o totalitarismo assim como uma cultura que reconhece o valor da infância e os direitos da criança é incompatível com a exploração da criança.

Porém, sistemas de valores diferenciados podem coexistir numa mesma sociedade: valores de grupos políticos diferentes, de etnias diversas, de comunidades religiosas diferentes; valores hedonistas (o prazer pelo prazer, ou seja, ser o prazer o supremo bem da vida humana) que se opõem aos valores do trabalho e da eficácia; os valores da poupança e do património em oposição ao consumismo desenfreado; os valores do ser e da pessoa, em oposição aos valores do ter e do poder financeiro, etc. Esta diversidade de valores pode provocar conflitos, cuja resposta poderá implicar que uma hierarquia de pertinências seja estabelecida. Com efeito, existem conflitos de valores no seio da família (entre as gerações, por exemplo), nas empresas (entre a eficácia económica, o lucro, o melhoramento das condições de trabalho, o serviço à comunidade, etc.), ao nível das argumentações de valores num tribunal ou nos debates públicos sobre processos judiciais (o respeito devido às vítimas e o direito do culpado à sua defesa, por exemplo), conflitos entre o valor da família e a obrigação do trabalho (conflito que se põe, muitas vezes, às mães que trabalham fora de casa e têm filhos pequenos), etc.

Para além dos aspectos ligados à pluralidade dos valores, assistimos hoje, nas sociedades democráticas contemporâneas, a uma evolução dos sistemas de valores com uma alteração da sua hierarquia de pertinência, expressas na importância crescente dos novos valores ligados à ecologia, à defesa do meio ambiente e ao novo conceito de desenvolvimento sustentado, dos valores da solidariedade, da cidadania e da tolerância que orientam hoje um novo tipo de ação colectiva (exercido em termos de voluntariado e/ou por Organizações Não-Governamentais (ONG), como os médicos sem fronteiras, as associações de proteção e defesa das crianças e das mulheres vítimas de maus tratos, as associações de defesa das minorias, do consumidor, de assistência aos doentes com sida, etc.) assim como se assiste a uma evolução dos valores ligados à mundialização que orientam instituições e convenções internacionais.

3 – O que se entende por Ideologias

Tendo como significado basicamente um conjunto estruturado de ideias, a palavra ideologia teve ao longo dos tempos, diferentes sentidos e aplicações. No século XVIII, ideologia significava “ciência das ideias” mas também o termo era utilizado para designar uma teoria impraticável ou um conjunto de ideias fantasiosas sem qualquer fundamento teórico ou prático.

     Ideologia dominante. Numa determinada sociedade coexistem ou polarizam-se diversas ideologias. No entanto, a classe dominante, ao deter os meios de produção material, possuiria também os mecanismos e instrumentos de produção simbólico-ideológica (representações e discursos, signos e símbolos, condutas e atitudes), de modo a constituir-se como ideologia dominante, justificando o status quo e legitimando os interesses da(s) classe(s) (sub)dominante(s).

Assim, tentaremos identificar as ideologias mais conhecidas, a saber:

     Liberalismo a livre concorrência é a melhor solução em termos económicos, devendo por princípio o Estado abster-se de intervir na economia; quando muito, o Estado deve assegurar a existência de bens e serviços que os restantes agentes económicos não estejam interessados em oferecer.

O desenvolvimento do liberalismo político e económico acompanhou de perto no século XIX a Revolução Industrial, sendo o sistema político-económico das principais potências industriais, mas este acabou por trazer à luz alguns problemas e contradições. De facto, o aumento da dimensão de muitas empresas e a ocorrência de crises económicas, acabaram por levar à conclusão de que a livre iniciativa, por si só, não seria suficiente para garantir o equilíbrio das economias.

     Neo-Liberalismo – surgiu a seguir à Segunda Guerra Mundial, tendo tido por base um texto da autoria de Friedrich Hayek (O Caminho da Servidão, 1944). Neste documento, o autor critica a ausência de liberdade dos cidadãos quando existe um Estado providencial e de “bem-estar”, que aniquilava também a concorrência e os seus aspectos positivos no desenvolvimento económico e social. Hayek demonstra mesmo a sua crença na desigualdade como um valor a ser preservado, no que ia contra a corrente geral do pensamento político da época. O texto de Hayek, todavia, mergulhou num certo esquecimento durante quase três décadas. Além de deste, também Ludwig von Mises e Milton Friedman contribuíram para a base filosófica e económica do neo-liberalismo.

Assim, nos anos 70, a grave crise económica que se abateu sobre o mundo a partir de 1973, com origem no sistema económico “capitalista”, que então se defrontava com baixas taxas de crescimento e elevadas taxas de inflação. Esta crise do sistema capitalista ofereceu-se como o tempo ideal para o renascimento das ideias de F. Hayek. Assim, ganha corpo o ideário do neo-liberalismo, que tem como ponto forte a diminuição do Estado (o “Estado mínimo”), promotor de liberdades individuais através da manutenção da lei e da ordem, fomentando a liberdade e competitividade de mercados.

     Nacionalismo, foi uma ideologia surgida após a Revolução Francesa e teve uma grande influência na organização política de muitos estados durante todo o século XIX. A origem do nacionalismo prende-se com a Revolução Industrial e o capitalismo surgidos nos finais do século XVIII, em alguns países da Europa e o seu consequente desenvolvimento económico, levou a que outros países almejassem alcançar as mesmas vantagens económicas e políticas. Segundo alguns autores, a ideologia do nacionalismo serviu para mobilizar outros países na criação de circunstâncias políticas que levassem ao desenvolvimento económico e material através do capitalismo. Este processo veio a verificar-se também durante o século XX, na redefinição das fronteiras, posteriormente ao fim da Primeira e da Segunda Grandes Guerras, em que algumas nações deram origem a novos países. Os movimentos nacionalistas estão ligados tanto a facções políticas de esquerda como da direita, tendo dado origem a regimes fascistas na Europa mas também a movimentos autonomistas tanto em África como na Ásia.

O nacionalismo, embora mais concentrado nas identidades históricas e culturais dos povos, foi também usado pelos sectores pró-racistas para sustentar as diferenças étnicas que estiveram na base dos movimentos fascistas, neofascistas ou os sectores nacionalistas conservadores que defendem certas formas menos radicais de racismo.

A distinção entre nação e estado é pertinente dado que dentro de um mesmo estado podem coexistir diferentes nações como é o caso, por exemplo, de Espanha, com o País Basco e a Catalunha.

     Comunismo – em sentido lato, este termo refere qualquer doutrina que atribuí à comunidade direitos que geralmente se conferem a um indivíduo ou sociedade, nomeadamente o direito de propriedade, muito em particular dos bens e produção, sob a forma de propriedade social. Em sentido estrito, o termo comunismo traduz o modo de encarar o mundo inspirado na obra e pensamento de Karl Marx, Friedrich Engels e Lenine.

O documento doutrinário fundamental na consolidação e divulgação dos pontos de vista do comunismo foi o Manifesto do Partido Comunista de Marx e Engels, redigido em 1848. O Manifesto continha um incitamento explícito à unidade e à luta do proletariado, que era, segundo os autores, a classe que haveria de operar a revolução. Ao mesmo tempo, expunha com clareza exemplar os pressupostos ideológicos do movimento comunista.

Premissa comum a todas as ramificações do comunismo é a propriedade colectiva dos meios de produção, geridos pelo Estado de modo a garantir o bem-estar de todos os cidadãos (e não apenas de alguns) e a evitar a exploração do homem pelo homem, apontada como característica do sistema capitalista.

Ainda no decurso do século XIX, o movimento comunista fez-se notar nos países industrializados, em acções de propaganda e defesa da classe operária.

Em alturas diversas, o comunismo foi capaz de tomar o poder em vários países. A Revolução Russa de 1917 foi o momento mais significativo, quer por ter sido a primeira revolução comunista da História, quer pelo carácter exemplar dos seus desenvolvimentos.

Atualmente a China é um caso diferente, mas também de grande interesse e expectativa: o país vem tentando adoptar uma fórmula mista, conciliadora do sistema comunista com o capitalista, em matéria económica, mas no que diz respeito aos direitos humanos o regime não tem dado grandes sinais de abertura.

     Socialismo – Historicamente, o termo é usado desde o século XVIII. Robert Owen, foi um dos pioneiros do chamado socialismo utópico, primeira forma histórica desta doutrina política, que conheceu larga difusão em França (com Saint-Simon, Fourier e Proud’hon) e em Inglaterra, onde Owen chegou a pôr em prática um sistema de cooperativas de produção e consumo. Esta corrente socialista, assim designada por Karl Marx, baseava-se em conceitos morais e religiosos, acreditando na força da vontade e do espírito para alcançar os seus objectivos.
Só com o decurso do século XIX o socialismo conheceu um verdadeiro desenvolvimento, como consequência da industrialização gradual da Europa e da América do Norte, a par do crescimento urbano e da miséria e empobrecimento que com ela alastraram. Este tipo de socialismo recusava a organização social advinda da industrialização e do capitalismo.

O termo socialismo começava, a opor-se a comunismo e a união do socialismo ao mundo operário foi uma realidade a partir da segunda metade do século XIX, com a internacionalização dessa convergência de ideais e práticas. Porém, se ganhou em organização e poder de luta, o socialismo perdeu também com as lutas internas das suas várias sensibilidades, nomeadamente com o conflito que opôs marxistas a anarquistas. Existiu ainda uma corrente designada por socialismo libertário, defendida por Bakunine e Stirner, opositores de Marx na Internacional, que aspirava acima de tudo à libertação do indivíduo. Somente em 1917, com a Revolução Soviética, se produziu uma revitalização dos partidos socialistas com a fundação do Partido Comunista e da III Internacional, sob os auspícios de Lenine.

Depois da Segunda Guerra Mundial, o socialismo – cada vez mais anti-soviético – evoluiu até se converter em partido maioritário em alguns países, embora para tal se tenha afastado dos seus princípios primitivos, substituídos por tendências de natureza social-democrática. Denomina-se este socialismo reformista pelo facto de defender a sua implantação gradual através de reformas legislativas: leis sobre a família, segurança social, pleno emprego, habitação. O socialismo actua, apesar de aceitar a luta de classes, recusa qualquer referência às teses marxistas, criticando de igual modo os países que se reclamam de marxistas-leninistas, com economias estatizadas, partido único e atentados aos direitos humanos (China, Cuba, etc.).

     Nacional-socialismo – ideologia fascista extremista (conotada com o regime nazi de Adolf Hitler)

    Fascismo – Em 1919, um ex-socialista italiano, Benito Mussolini, funda um movimento revolucionário, baptizado de Fasci Italiani di Combattimento, de onde derivará a expressão fascismo (fasci significa “feixe”).

Inicialmente, esta organização política terá um programa republicano, democrático e socialista. Porém, a simpatia dos industriais, grandes proprietários e de alguma burguesia, para além de desenvolver o movimento, imporá um cariz mais totalitarista e conservador. O regime apoiava-se, igualmente, no combate e perseguição do comunismo.

O apoio da burguesia, grupo social de origem dos quadros fascistas, era aí bem visível. O fascismo alemão distinguia-se do italiano – pactista e corporativista – pelo seu totalitarismo radical, pró-ariano e anti-semita (os italianos nunca atingiram o grau de crueldade ou fundamentalismo cego dos nazis neste aspecto).

O militarismo e a preparação da sociedade para a guerra era outra faceta do fascismo, repercutindo-se na obediência e culto ao chefe autoritário (duce, Führer, Caudilho…)

O discurso fascista era, por outro lado, antimarxista, anticapitalista e revolucionário (revolução como sinónimo de imposição de autoridade, ou Nova Ordem, como nos nazis). Outro elemento-chave do fascismo foi o corporativismo, nomeadamente no regime totalitário português de Salazar, baseado nas corporações como elemento político de governação (Assembleia Corporativa, Casa do Povo, Casa do Mar…).

Hoje em dia, todavia, o ideário fascista é historicamente entendido como uma forma de atingir o poder e conservá-lo fosse de que forma fosse, custasse o que custasse, mais do que uma doutrina ou programa.

      Social-democracia – A sua origem é o tronco marxista, de onde derivou em finais do século XIX, quando alguns partidos se desligaram da ideologia de Marx e assumiram uma orientação política própria de transformação e reforma da sociedade. O primeiro grande ideólogo foi Eduard Bernstein (1850-1932), um antigo discípulo de Marx e Engels, depois líder do Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD). Reconhecendo o erro do marxismo na análise das sociedades capitalistas e do seu projecto de transformação das mesmas, discordando da inevitabilidade histórica das revoluções e até da sua ocorrência, Bernstein afastou-se, a partir de 1897, do Marxismo, plasmamdo as suas ideias em artigos.

Nos anos 80 e 90, a social-democracia conquista outros partidos socialistas na Europa, principalmente no Sul, embora o modelo nórdico se encontre em revisão e adequação às novas realidades da globalização e das crises económicas de finais de 90.

     Democracia – Em 508 a. C. foi inventado na cidade de Atenas um novo sistema político – a democracia – que representava uma alternativa à tirania. O cidadão ateniense Clístenes propôs algumas reformas que concediam a cada cidadão um voto apenas, nas assembleias regulares relativas a assuntos públicos. Não havia, nesse tempo, partidos políticos organizados; contrariamente aos sistemas democráticos actuais, a democracia grega não se regia pela eleição dos representantes, as decisões respeitavam sim a opinião da maioria relativamente a cada assunto aberto ao debate.

A igualdade de todos perante a lei (grega) alicerçou um conjunto de reformas de clara inspiração democrática. Com estas reformas abriram-se perspectivas para a melhoria das condições de vida dos camponeses e uma maior participação dos cidadãos na vida política.

As democracias podem ser divididas em diferentes tipos baseado em um número de distinções. A distinção mais importante acontece entre a democracia directa (chamada democracia pura) onde o povo expressa a sua vontade por voto directo em cada assunto particular, e a democracia representativa (chamada democracia indirecta), onde o povo expressa a sua vontade através da eleição de representantes que tomam decisões em nome daqueles que os elegeram.

Teoria do fim das Ideologias – esta teoria, vulgarizada nos anos 60 do século XX, a partir dos escritos de D. Bell, reporta-se à relação das grandes ideologias contemporâneas (liberalismo, nacionalismo, socialismo, etc.) com as sociedades do bem-estar, sociedades que as economias de desenvolvimento avançado tinham gerado já pelos anos 50 do mesmo século.

Defende essencialmente a ideia de que as grandes ideologias mobilizadoras de massas do mundo contemporâneo enfraqueceram a sua utilidade funcional por meados do século XX, com o surgimento da sociedade e do estado do bem-estar. Pacificadas as lutas anteriores, porque perdida a razão de ser dos antagonismos (tendo o nacionalismo sido superado pela derrota colectiva das duas guerras mundiais e o socialismo pelo progresso económico), o conflito, que fora assumido pelas sociedades, na teoria e/ou na prática, como motor da mudança, assim, ter-se-ia visto relegado, em favor do consenso – um consenso que seria, do ponto de vista material, o consenso da abundância e, na óptica do político, o espaço das democracias representativas.
Do ponto de vista académico, e ao nível da teoria política, foi também o tempo da procura da “neutralidade”, isto é, do discurso científico “objectivo”, porque livre de considerações valorativas. O teórico, conotado com o discurso de valores, deu assim, durante algum tempo, lugar ao “empírico”. Entendeu-se que se superara a ideologia, até como objecto, pela sua absoluta falta de funcionalidade.

No entanto, Fukuyama retomou o tema, teleológico, do fim da História (e da ideologia), desfecho que ele filia no estado actual do mundo ocidental, que teria como que cumprido o seu destino, ao fixar-se na economia de mercado e na democracia política.

Pragmaticamente, lidas essas teses como acontecimentos históricos (por isso insertos numa temporalidade), elas parecem salientar o efeito desmobilizador do bem-estar, efeito que os historiadores já conhecem das épocas de longas continuidades, a que, tradicionalmente, se chamava épocas felizes ou épocas sem história, numa linguagem impressionista que ilustrava a estabilidade, isto é, a lentidão da mudança.

Introdução às Organizações Positivas

Neutralidade de Valores.

O conceito de neutralidade de valores é bastante equívoco.

A palavra alemã correspondente, Wertfreiheit, significa, literalmente, “liberdade em relação aos valores”. O tradutor francês dos Essais sur la théorie de la science, de Max Weber, e grande especialista deste autor, J. Freund, optou pela expressão “neutralidade axiológica”.

Com o princípio da neutralidade axiológica, Weber quis mostrar, por um lado, que a ciência não podia excluir a intervenção dos valores nos seus procedimentos, e, por outro, que estes deviam ficar circunscritos pela utilização exclusiva que ela faz deles e pelo controlo exclusivo que exerce sobre eles, em suma, que ela se devia proteger da intrusão ilegítima de valores, no seu seio, que implicariam avaliações práticas de ordem política ou moral.

A neutralidade axiológica (ou neutralidade de valores) significa que o fundamento da ciência não reside numa objectividade pura de ordem ideal, mas que depende sempre das escolhas valorativas do cientista. O apelo aos valores integra plenamente todo o procedimento científico, já que a construção de conceitos ou de tipos ideais, assim como o estabelecimento de relações causais, depende de opções subjetivas últimas que refletem as crenças, as convicções ou as ideologias de cada cientista.

Não esqueçamos nunca que a maneira como escolhemos e definimos os nossos objetos de estudo não radica das qualidades destes mesmos objetos, como o pensava Durkheim, mas está orientada em função de uma “relação com os valores”. Os conceitos de capitalismo e de socialismo nunca gozam de uma imparcialidade intrínseca, nunca são neutros no sentido de exprimirem uma relação objectiva válida para todos os lugares e em todos os tempos, mas representam simples pontos de vista cientificamente informados. Estas construções não são, no entanto, arbitrárias e não constituem, de forma nenhuma, a finalidade da ciência. Inscrevem-se num projeto heurístico (de descoberta) que visa esclarecer certas noções confusas ou pôr em evidência certas relações causais, por exemplo entre o capitalismo e o protestantismo. A inevitável subjetividade que encontramos no princípio de qualquer estudo científico fica superada se reconhecermos a infinita pluralidade de valores e de centros de interesse que presidem a cada um deles, se aceitarmos a legitimidade dos outros pontos de vista e se, no decurso do nosso estudo, nos mantivermos sempre fiéis aos nossos pressupostos de partida.

Os valores que possam orientar os nossos trabalhos não se diluem, mas têm, pelo contrário, tendência a multiplicar-se até ao infinito, já que a sociedade levanta permanentemente novas questões que suscitam novos valores. A própria ciência não escapa a este processo, visto que é produtora de valores, como no-lo testemunharam a descoberta socrática do conceito e a filosofia platónica, as experimentações no Renascimento ou ainda as crenças da filosofia iluminista.

É inútil dizer que, na perspectiva de Weber, nunca chegaremos a um consenso sobre os valores, ao contrário daquilo que pensavam H. Rickert e G. Schmoller: o primeiro defendia esse consenso devido a uma aproximação dos padrões culturais; o segundo, fundado na ideia de uma consciencialização ética crescente que conduziria a uma unificação moral e a uma unanimidade de ordem convencional entre os povos, entre os cientistas, e que poderia levar à definição de verdades universalmente válidas e aplicáveis às mais diversas actividades. Weber diz mesmo que o anarquista que defende valores extremos, opostos aos valores convencionais, como, por exemplo, os da aceitação das prerrogativas jurídicas ou estatais, pode dignificar e enriquecer a sociologia do Direito ou do Estado, ao evidenciar pontos até então ignorados.

Precisamente, a ciência “faz daquilo que é evidente por convenção um problema” (Max Weber).

A neutralidade axiológica não pode significar um compromisso ou um equilíbrio entre diferentes avaliações antagónicas. Aliás, a ciência não é capaz de resolver a questão do “politeísmo dos valores”, já que, aos olhos do cientista, a própria ciência constitui um valor que merece ser defendido e que embate muitas vezes contra valores contrários. Desse modo, Weber fez-se o crítico das diferentes formas de cientismo, segundo as quais o espírito e os métodos científicos, em particular das ciências exatas, deveriam estender-se a todos os domínios da vida intelectual e moral para se poder resolver a maior parte dos problemas concretos que se levantam na sociedade.

Assim, a neutralidade axiológica implica que a ciência deve restringir-se ao cumprimento da sua própria finalidade, que é a procura da verdade, mesmo quando esta finalidade não constitua o objecto de um consenso: “É verdade científica unicamente aquela que pretende valer para todos aqueles que querem a verdade” (Max Weber).

Por outras palavras, a ciência só poderá esclarecer as escolhas valorativas dos homens sabendo que a sua adopção e defesa dependem antes da vontade, da fé e da determinação.

Por fim, convém acrescentar que a neutralidade axiológica determina também a conduta pedagógica dos cientistas e, nomeadamente, a dos professores.

Weber não deixou de denunciar a falsa neutralidade e objectividade, que se baseavam em postulados éticos, como se a ética constituísse uma instância supravalorativa capaz de orientar a ciência. A neutralidade axiológica significa, portanto, que o verdadeiro cientista é aquele que se põe incondicional e imparcialmente ao serviço da ciência. Aliás, cada actividade humana sai gratificada com homens que se dispõem a defender a sua causa.

4 – Crise de Valores e Organizações Positivas

Em pleno século XXI, quase toda a sociedade considera que existe uma crise de valores, ou pelo menos a falência dos tradicionais. Mas desde sempre esta consciência de crise de valores existiu, numa perspectiva geográfica mais restrita e sem as dimensões de generalização como sucede hoje. A globalização económica e o neo-liberalismo, o individualismo e o relativismo, a par do progresso tecnológico, aceleraram a toma de consciência de crise de valores por parte da população. Por um lado esbateram-se ou já não existem mesmo critérios seguros para distinção do bem e do mal, do justo e do injusto, entre outras categorias morais e pessoais, imperando pois a subjetividade e o relativismo. Radicalmente, alguns vão mais longe e afirmam mesmo que já não existem sequer valores, tudo é circunstancial. O que era antes intemporal e inalterável, é agora volátil ou inconsistente, passando-se do relativismo à descrença niilista (conceito filosófico ou doutrina que nega a existência de qualquer realidade substancial) absoluta.

As principais causas para a crise de valores são:

a desvalorização da tradição, quer através do marxismo, que tudo subjuga à história e ao plano social, desvalorizando os valores antigos, da burguesia, dos opressores, que substitui pelos do povo trabalhador, quer através de Nietzsche e a sua negação dos valores absolutos, ou mesmo com Freud, que tornou os valores morais como produto de mecanismos mentais repressivos.

a crise na instituição familiar, das suas relações, do próprio modelo de família, primeira fonte de transmissão de valores. O aumento de divórcios, separações, violência doméstica, pressões económicas e stress social das famílias podem prejudicar também a transmissão de valores seguros aos filhos.

modificações de ordem material, nos aspectos tecnológico e científico, e as sucessivas mutações económicas podem conduzir ao distanciamento cada vez maior da sociedade moderna face aos valores tradicionais.

menor peso dos bons costumes e da cultura popular na sociedade moderna, visível na descrença nos valores absolutos e na moral social, substituída pela moral autónoma e pelo relativismo.

Psicologia Positiva

Segundo Seligman, o campo da Psicologia Positiva, baseia-se na ideia  de que as pessoas querem levar vidas com sentido e de uma maneira intensa, para cultivarem o que é melhor para si próprias, reforçando as suas experiências de amor, trabalho e lazer.

A psicologia positiva tem três preocupações centrais: as emoções positivas, traços individuais positivos e instituições (organizações positivas). Compreender as emoções positivas implica o estudo das forças e virtudes, como a capacidade de amar e de trabalho, coragem, compaixão, criatividade, curiosidade, integridade, auto-conhecimento, moderação, auto-controle, e sabedoria.

Para se entender as organizações positivas, implica o estudo das forças que promovem organizações melhores, como a justiça, responsabilidade, relação entre as pessoas, nutrição, ética do trabalho, cidadania, liderança, trabalho em equipa, finalidade e tolerância.

Alguns dos objectivos da psicologia positiva estão a construir uma ciência que suporta:

. As famílias e as escolas que permitem que as crianças floresçam

. Locais de trabalho que ofereçam satisfação e alta produtividade

. Comunidades a incentivar a participação cívica

. Terapeutas que identifiquem e criem forçam nos seus pacientes

. O ensino da psicologia positiva

. Difusão das intervenções da psicologia positiva nas organizações e comunidades

Num estudo de análise, elaborado por discentes universitários sobre a Bruno Janz, Sa, empresa que perspectivava, à época (1995), uma cultura de organização positiva, podia ler-se o seguinte;

     A orientação da empresa tem estado a cargo da família Janz, descendentes do seu fundador, que derem 80% do capital. O conselho de Administração é formado por 5 elementos, sendo um, de uma empresa suíça e quatro da família que tem, também, funções executivas, sendo a Direcção Comercial, Recursos Humanos e Direcção de Fábrica e Financeira.

Laboram (estudo com base em dados anteriores a 1995) 550 trabalhadores, dos quais, 10 são consultores honorários. A média etária situa-se nos 39 anos, havendo cerca de 50% dos trabalhadores com mais de 15 anos de antiguidade na empresa. Durante o ano de 1995, a Bruno Janz, investiu em formação cerca de 12.228 contos (aprox. 81.000 euros), que correspondem a 13 702 horas de formação.

O bem-estar social dos colaboradores e suas famílias é uma preocupação da empresa, pelo que, garante diariamente, e de forma gratuita, a refeição a todos, tendo atingido no final do ano um encargo de 66.228 contos (aprox. 330.350€)

Para os filhos dos trabalhadores, possui a empresa, um Infantário, suportando esta cerca se 2/3 dos encargos.

(…) A Bruno Janz é uma empresa bem posicionada no mercado (contadores de precisão de água e electricidade), com uma sólida estrutura, onde os recursos humanos constituem uma parte fulcral do seu sucesso.

(Estudo elaborado pelo  licenciados em Recursos Humanos, Margarida Constantino | João Magalhães | Dolores Xavier – 1996)

Numa outra perspectiva, servimo-nos do exemplo da instituição CRIAL, Centro de Recuperação Infantil de Almeirim, Escola de Ensino Especial cujos valores e princípios passaremos e enunciar:

PRINCÍPIOS E VALORES

Respeito – Agir sem discriminar, de forma personalizada respeitando o indivíduo e seus direitos fundamentais

Inclusão – Apoiar a inclusão/ integração, promovendo o máximo potencial de cada indivíduo/ famílias

Inovação – Melhorar continuamente os processos operacionais, adoptando metodologias inovadoras e ajustadas às necessidades

Cooperação – Atuar de forma organizada, planeando e valorizando o trabalho de equipa com humildade e ajuda mútua, articulando-se de forma dinâmica com os parceiros

Valorização – Valorizar e motivar os recursos humanos através de formação contínua, fomentando novas competências

Postura – Adoptar uma postura centrada na pessoa, promovendo autonomia, dignidade e confiança, valorizando o diálogo e as relações inter-pessoais

Responsabilidade – Agir de forma responsável e transparente com utentes/ parceiros/ colaboradores/ famílias e com a sociedade em geral

Solidariedade – Incentivar práticas que traduzam o valor da solidariedade através de uma atuação concertada – acompanhar, apoiar, aceitar, proteger, cuidar, partilhar…

POLÍ TICA PARA A OBTENÇÃO DA CERTIFICAÇÃO DE QUALIDADE

“A obtenção da Qualidade (total) nas atividades desenvolvidas e nos serviços prestados aos Clientes do Centro de Recuperação Infantil de Almeirim, é um compromisso assumido e partilhado pela Direcção e por todos os Funcionários da Instituição, mediante a aplicação dos princípios da ética, responsabilidade social e os conceitos de trabalho em Equipa e dos processos de melhoria contínua. SGQ – Sistema de Gestão da Qualidade.

Através da qualificação, sensibilização e motivação dos nossos Funcionários para a Excelência da Resposta Social e na orientação da gestão pelos princípios do Desenvolvimento Sustentável, o nosso Objectivo é oferecer aos Clientes serviços que satisfaçam as suas necessidades e expectativas, acrescentando continuamente valor aos padrões globais da Qualidade de Vida.”

A aposta na Certificação é o resultado formal de um projeto em que a Instituição acredita. Neste sentido, a nossa Política da Qualidade traduz-se nos seguintes factores chave:

-Melhoria contínua das Respostas Sociais e do Sistema de Gestão da Qualidade;

-Satisfação explícita do Cliente;

-Cumprimento dos Requisitos Legais;

-Estabelecimento de relações de parceria;

-Motivação e Especialização do quadro de colaboradores.

( pela Direção da Instituição, Almeirim, 19 de Janeiro de 2010)

5 – Valores Sociais e Ideologias em clima organizacional

Teoria da organização

As organizações formais e complexas, específicas da modernidade e enquanto sistemas construídos pelos actores sociais, revestem formas históricas ao mesmo tempo semelhantes e dissemelhantes. Elas podem e devem ser estudadas na sua realidade complexa, a partir de diferentes ângulos disciplinares. Assim, todas as Ciências Humanas e Sociais se têm preocupado em estudar e em compreender o mundo das organizações.

O futuro da teoria organizacional aponta para a valorização dos processos de mudança, de adaptação contínua ao meio, de desestruturação da acção colectiva e de precariedade dos quadros normativos e formais. O “emagrecimento” organizacional, a desconcentração espacial, a flexibilização funcional e departamental estarão na ordem do dia. O paradigma da mudança e da não diferenciação funcional, como a valorização dos aspectos não racionais, será talvez uma hipótese mais operacional para orientar a compreensão das organizações.

O que é clima organizacional? Numa definição sucinta, clima organizacional é a qualidade do ambiente que é percebida ou experimentada pelos participantes da empresa e que influencia o seu comportamento.

É aquela “atmosfera psicológica” que todos nós percebemos quando entramos num determinado ambiente e que nos faz sentir mais ou menos à vontade para ali permanecer, interagir e realizar.

Somos influenciados pelo clima organizacional e, ao mesmo tempo, o influenciamos.

Esse ciclo de influências criará um efeito o qual chamamos de “realimentação de auto-reforço”, fazendo com que certas características da cultura sejam amplificadas através de comportamentos repetidos nas relações do dia-a-dia. Assim, se a cultura organizacional for virtuosa, esse ciclo amplificará comportamentos construtivos, gerando mais produtividade com qualidade de vida. Mas se a cultura for viciosa, o ciclo de influências arrastará a empresa para comportamentos cada vez mais destrutivos, prejudicando a produtividade, desgastando as pessoas e os seus relacionamentos. Portanto, torna-se vital conhecermos os factores que dificultam a manutenção

Os inimigos do clima produtivo.

Os principais inimigos de um clima organizacional optimizado para a produtividade são os problemas de relacionamento entre colegas, gestores e subordinados, a falta de uma comunicação eficiente, as atitudes negativistas e a instabilidade emocional

Soluções práticas para a melhoria do clima organizacional.

A melhoria do clima organizacional é um desafio bastante complexo dado o alto grau de subjetividade envolvido nesse processo. As pesquisas de clima organizacional apenas trazem um mapa do ambiente psicológico, mas não têm o poder (nem a pretensão) de prover soluções efetivas para o problema. Se pretendemos obter melhorias realmente expressivas e sustentáveis sobre o clima, precisaremos investir em programas práticos capazes de intervir no que acontece “da pele para dentro” das pessoas, e que, portanto, não se limitem a oferecer apenas teorias, modelos e conceitos. Programas estruturados, que priorizem a optimização os comportamentos produtivos através da redução de stress e reatividade, bem como do aumento do discernimento e do bem-estar do colaborador. Assim, iniciamos um processo em cadeia que começa com a melhoria do clima do indivíduo e que poderá culminar com a evolução de toda a cultura organizacional.

Comportamento Organizacional

• Nas organizações/ grupos realizam-se aprendizagens que emergem dos modelos e se exercitam nos papéis sociais.

•O facto de se estar em grupo faz com que tenhamos opiniões e atitudes próprias:

• Mas, dentro de um grupo há indivíduos que se comportam de acordo com as expectativas do grupo sendo conformistas.

• Em grupos coesos há uma maior tendência a atitudes conformistas por parte dos seus membros.

• Razões para tal conformismo:

• Tamanho do grupo

• Unanimidade do grupo

• Sentimento de pertença

• Normas e percepções grupais

outros, embora, conheçam essas expectativas, agem de forma oposta, demonstrando inconformidade.

• São considerados independentes, algumas vezes são indutores de mudança

6 – Conclusão

A importância de entender valores sociais e ideologias num contexto de organização positiva, reflete a preocupação das sociedades em manter o equilíbrio assente, ao que se deseja, na psicologia positiva que, (segundo Sónia Galinha, 2007, Animação e bem-estar psicológico, pag. 42 (2010)),”A Qualidade de Vida envolve aspectos internos relativos a cada sujeito que correspondem ao bem-estar psicológico e ao bem-estar subjetivo, sendo que, estes dois tipos de bem-estar, se constituíram a partir de duas perspectivas filosóficas diferentes, o hedonismo, (“o prazer pelo prazer”) e o eudaimonismo, entendível como o prazer consciente, (podendo ainda este bem-estar ser compreendido como uma “unidade multidimensional complexa” ou de Florescimento Humano, promovido pelos investigadores Keys, Shmotkin & Ryff, 2002, que igualmente concorre, para uma psicologia positiva).

Índices de satisfação humana prendem-se com conceitos enquadrados na Revolução Positiva da Mudança (segundo Csilkszentmhihalyi & Csilkszentmhihalyi, 2006), que genericamente se caracterizam por uma mudança que se focaliza no melhor da condição humana, com os seus índices de satisfação e que aproveita o capital psicológico positivo para obter vantagens (pag. 170).

Definir Organização pressupõe conhecer a complexidade do conceito. Muitas são as organizações ou empresas que se enquadram nas organizações positivas, talvez, observando com atenção, possamos identificar à nossa volta as “empresas vivas, empresas amigas da família, as organizações verdadeiramente saudáveis, virtuosas, onde o trabalho tem significado, democráticas ou cívicas (numa alusão a Cunha, Rego, Cunha e Cabral-Cardoso (2007), Animação e bem-estar psicológico , pag. 170 (2010)), talvez até estejamos bem perto de alguma ou até dela fazendo parte.

Todos, sem exceção, temos a obrigação de entender a organização a que pertencemos, contribuindo de uma forma direta com valores e atitudes positivas que concorram para o bom funcionamento das mesmas.

7 – Bibliografia /Wikigrafia

– Abecedário do Cristianismo (Público) 2000 – Edição Portuguesa da Reborn – Chavot, Pierre , Potain, Jean

– Nova Enciclopédia Portuguesa-Edição de Promoção do Livro- Correia, Mário, Lima, Emílio

– Bruno Janz, Sa. (Estudo elaborado pelo licenciados em Recursos Humanos, Margarida Constantino | João Magalhães | Dolores Xavier – 1996)

– NOVA enciclopédia Portuguesa volume 23, EDICLUBE

– In Diciopédia X [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2006. ISBN: 978-972-0-652621

www.notapositiva.com

– J. Hessen (1967) Filosofia dos valores. Coimbra, Arménio Amado, pp.22-23)

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leninismo. In Diciopédia X [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2006. ISBN: 978-972-0-65262-1

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Karl MarxKarl Marx. In Diciopédia X [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2006. ISBN: 978-972-0-65262-1

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Escola de Birmingham Escola de Birmingham. In Diciopédia X [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2006. ISBN: 978-972-0-65262-1

Neoliberalismo Neoliberalismo. In Diciopédia X [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2006. ISBN: 978-972-0-65262-1

Liberalismo

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Socialismo

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economia de mercado

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relativismo (sociologia)

relativismo (sociologia). In Diciopédia X [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2006. ISBN: 978-972-0-65262-1

positivismo (filosofia)

positivismo (filosofia). In Diciopédia X [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2006. ISBN: 978-972-0-65262-1

Valores valores. In Diciopédia X [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2006. ISBN: 978-972-0-65262-1

pertinência de valores pertinência de valores. In Diciopédia X [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2006. ISBN: 978-972-0-65262-1

neutralidade de valores neutralidade de valores. In Diciopédia X [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2006. ISBN: 978-972-0-65262-1

altruísmo

altruísmo. In Diciopédia X [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2006. ISBN: 978-972-0-65262-1

Crise dos Valores Tradicionais

Crise dos Valores Tradicionais. In Diciopédia X [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2006. ISBN: 978-972-0-65262-1

ajustamento social

ajustamento social. In Diciopédia X [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2006. ISBN: 978-972-0-65262-1

ação colectiva

referenciar documento

ação colectiva. In Diciopédia X [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2006. ISBN: 978-972-0-65262-1

consciência colectiva ligar a ideologias

consciência colectiva. In Diciopédia X [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2006. ISBN: 978-972-0-65262-1

preconceito

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Ideologia ideologia. In Diciopédia X [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2006. ISBN: 978-972-0-65262-1

teoria do fim das ideologias teoria do fim das ideologias. In Diciopédia X [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2006. ISBN: 978-972-0-65262-1

ideologia dominante

ideologia dominante. In Diciopédia X [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2006. ISBN: 978-972-0-65262-1

Conservadorismo

conservadorismo. In Diciopédia X [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2006. ISBN:

Individualismo

individualismo. In Diciopédia X [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2006. ISBN: 978-972-0-65262-1

Individualismo e Associativismo

Individualismo e Associativismo. In Diciopédia X [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2006. ISBN: 978-972-0-65262-1

T. Parsons

Durkheim, 1974, Las reglas del método sociológico ¸(1977, A divisão do trabalho social, I. Lisboa: Presença)¸ 1959, Socialism and Saint-Simon, organizado por A. Gouldner. London: Routledge & Kegan Paul);

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Marx (1847, Miséria da Filosofia,

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Manifesto do Partido Comunista de Marx e Engels

Karl Marx, capitalismo

Lenine, Que fazer?, O imperialismo, O estado e a revolução

Hayek, Ludwig von Mises e Milton Friedman

Santarém, 23 de Maio 2010

   -Tânia Prates (09)

  – Rui Bexiga (14)

  – Fernando Veríssimo (12)

  – Mário Cláudio (11)

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  1. #1 by wellema80 on 21/03/2013 - 11:35 am

    voz soes excelente em conhecimento muinto obrigado pelas nocoes que catei.

  2. #2 by juliana djuli on 17/07/2014 - 10:27 pm

    Muito obrigado ajudou bastante…

  3. #3 by CoeGuiEmoRaro12 on 15/08/2016 - 5:38 pm

    OBRIGADO AJUDOU MUITO NO MEU TRABALHO DE FILOSOFIA😀

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