Sou um " nativo digital " ou um " imigrante digital "? Geração X ou Geração Y?

As gerações são produtos de factos históricos que influenciam profundamente os valores e a visão do mundo dos seus membros. Esses eventos trazem às pessoas lembranças e emoções fortes, que moldam profundamente as suas ideias sobre instituições, autoridade, dinheiro, família e carreira.

Nas Ciências Sociais, e mesmo no âmbito de senso comum, o termo traduz, vulgarmente, a referência a um conjunto de indivíduos nascidos num mesmo tempo, que detêm uma experiência comum, e expressa uma determinada forma de encarar a vida e os seus problemas.

Respondendo directamente á questão, pertenço à geração X, e sou um “imigrante digital”, visto que nasci em 1967, a minha formação educacional foi realizada sem contacto com a tecnologia digital, mas imigrando depois para o contacto e uso dessa tecnologia mais tarde.

Definindo conceitos e características das gerações “x e y” ficamos a saber que:

1. Geração X é um termo usado para descrever uma geração de pessoas que nasceram aproximadamente entre 1965 à 1981. É uma geração que nasceu depois da geração utópica dos anos 60 tendo que se conformar com um padrão de vida mais realista e consumista em pleno período de guerra fria que a sua anterior, muitos eram filhos de pais separados, viviam em casa em que homem e mulher trabalhavam fora. Esta geração teve mais tarde de se adaptar à revolução tecnológica digital com o aparecimento do computador pessoal, sendo considerada por isso como “imigrantes digitais”. Um imigrante digital é um indivíduo que cresceu sem a tecnologia digital e a adoptou mais tarde.

2. A Geração Y, também referida como Geração Millenium ou Geração da Internet refere-se aos nascidos após 1980 até meados da década de 1990, segundo uns, 2003 segundo outros, sendo sucedida pelas Geração Z. Quando estes nasceram as tecnologias digitais já existiam, e portanto cresceram com a tecnologia digital, tais como computadores, Internet, telemóveis e MP3. Esta geração desenvolveu-se numa época de grandes avanços tecnológicos e prosperidade económica.

Os pais desta geração, não querendo repetir o abandono das gerações anteriores, encheram-nos de presentes, atenções e actividades, fomentando a sua auto-estima. Cresceram a levar as suas vidas em permanente acção, estimulados por actividades e fazendo tarefas múltiplas. Acostumados a conseguirem o que querem, não se sujeitam às tarefas subalternas de início de carreira, são impulsivos, impacientes e lutam por salários ambiciosos desde cedo, não pensam duas vezes antes de mudarem de emprego caso se sintam desvalorizados ou desconfortáveis no ambiente corporativo.

Enquanto grupo crescente, têm-se tornado pelo seu liberalismo no consumo o público-alvo de novos serviços e na difusão de novas tecnologias. As empresas desses segmentos visam atender esta nova geração de consumidores que se constitui um público exigente e ávido por inovações sabendo que a sua ligação se faz mais às marcas do que às empresas. Preocupados com o meio ambiente e causas sociais, essa nova geração tem um ponto de vista diferente das gerações anteriores que viveram épocas de guerras e desemprego

Com o mundo praticamente estável e mais cómodo, estes jovens conseguiram preocupar-se com valores esquecidos como a vida pessoal, o bem-estar e o enriquecimento pessoal. No entanto esta geração tenta sempre desrespeitar compromissos ou responsabilidades tornando-se dependente acabando por abandonar a casas dos seus pais mais tarde.

Esta geração pretende uma ligação constante entre si, a comunicação não tem barreiras daí a sua presença constante nos blogs e redes sociais na internet.

A internet tem-se vindo a tornar o ambiente natural dos nativos digitais, todas as ideias competem no mesmo patamar, ou seja, as ideias na internet são seguidas e não impostas, ganham importância de acordo com o seu valor e não por poderes políticos ou por serem patrocinadas. O mais importante é o conteúdo e criatividade não a posição, currículo ou título académico. Nos fóruns de discussão existentes aqueles que contribuem com as respostas mais decisivas e inteligentes ganham mais respeito da comunidade, ou seja a hierarquia nasce de baixo para cima.

Uma das suas características actuais é o seu estado permanente em online através do uso de vários aparelhos (telemóveis, computadores, PDA´s, consolas de jogos, etc…) para muitas outras finalidades além de apenas fazer e receber ligações como é característico das gerações anteriores. Velocidade, tecnologia, perfil multitarefa e individualidade, são conceitos que definem muito bem esta geração.

Conclui-se assim que a geração X está directamente ligada aos “imigrantes digitais”, e a geração Y aos “nativos digitais”. Entre uns e outros existem diferenças bastante acentuadas no seu modo social de existência a começar pela confiança depositada na tecnologia digital, onde existem inúmeros comportamentos divergentes.

Os “imigrantes digitais” por exemplo sentem muitas vezes a necessidade de imprimir emails, documentos realizados no computador para assim os corrigir em vez de os editarem directamente, chamar pessoas ao pé de si para verem determinados sítios na internet quando as hiperligações poderiam serem enviados por correio electrónico, sendo que talvez o mais ridículo seja o telefonema para a pessoa a quem se enviou o correio electrónico imediatamente após o envio deste.

Mas estas desconfianças, que chegam a causar humor, até nem são o mais preocupante para a relação entre estas gerações, o maior problema situa-se no sistema educacional de hoje.

Aí existe muitas vezes uma diferença de linguagem, onde apesar do reconhecido esforço, os formadores “Imigrantes Digitais” falam uma linguagem ultrapassada em relação aos “Nativos Digitais” que falam uma linguagem inteiramente nova.

Nem todos concordam com a linguagem e os pressupostos subjacentes ao nativo digital, em particular no que se refere ao conceito de sua diferenciação dos nativos imigrantes. O termo sugere uma fluidez com a tecnologia que nem todas as crianças e adultos jovens conseguem obter e de um constrangimento correspondente com a tecnologia que nem todos os adultos mais velhos têm. Não podemos esquecer o facto de que o universo digital foi concebido e criado pelos imigrantes digitais. Ninguém é “born digital”, como acontece com qualquer tecnologia cultural, tal como a leitura e a escrita, é a questão de acesso à educação e a essas tecnologias, sendo portanto errado dizer que todos os jovens da era moderna são colocados na mesma categoria especial.

O contacto e uso excessivo de tecnologia poderá levar também ao levantamento de novas questões e ao aparecimento de novos problemas sociais, mas essa discussão ficará para mais tarde…

Discente: Rui Bexiga

Docente: Ana Loureiro

Maio de 2010

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