“Este país não é para velhos”

Recensão

“Este país não é para velhos”

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Ano: 2007

Realização: Joel e Ethan Coen

Apresentação

1. O Filme

1.1 Titulo e Realizador

“Este país não é para velhos” (2007), de Joel Coehen e Ethan Coen

1.2 Ficha Técnica

Companhias Produtoras: – Paramout Vantage, Miramax Films, Scott Rudin Productions e Mike Zoss Productions, Estados Unidos da América. Produtores: Joel Cohen, Ethan Cohen e Scott Rudin, David Diliberto e Robert Graf (produtoes executivos) e Mark Roybal (produtor associado). Direcção de produção: Karen Ruth Getchell, Robert Graf, Omar Veytia. Argumento: adaptado a partir do romance de Cormac McCarthy “ No country for old man” de 2005, por Joel e Ethan Cohen. Montagem: Roderick Jaynes (Joel e Ethan Cohen). Musica Original: Carter Burwell. Fotografia (cor): Roger Deakins. Supervisão de som: Skip Lievsay. Cenários: Nancy Haigh.  Escolha de Actores: Ellen Chenoweth. Design de Produção: Jess Gonchor. Direcção Artística: John P. Goldsmith. Maquilhagem: Brian Hillard, Geordie Sheffer, Dave Snyder, Christien Tinsley. Guarda-roupa: Mary Zophres. Assistentes de realização: Bac DeLorme, Peter Dress, Jai James, Betsy Magruder, Donald Murphy, Taylor Phillips; Departamento de arte: Mark Bankins, Sage Emmett Connell, James Fowler, Gregory Hill, Roberta Marquez; Som: Craig Berkey; Efeitos especiais: Peter Chesney, Megan Flagg, Jason Hamer, Diane Woodhouse; Efeitos visuais: Alexandre Cancado, Vincent Cirelli, Valy Lungoccia, Ashok Nayar, Ian Noe. Cor: cor com resolução de 2,35 : 1. Som: SDDS | Dolby Digital | DTS. Interpretes: Tommy Lee Jones (Ed Tom Bell), Javier Bardem (Anton Chigurh), Josh Brolin (Llewelyn Moss), Woody Harrelson (Carson Wells) e Kelly Macdonald (Carla Jean Moss), Garret Dillahunt (Wendell), Tess Harper (Loretta Bell), Barry Corbin (Ellis), Stephen Root (O homem que contrata Carson Wells), Rodger Boyce ( O sheriff de El Paso), Beth Grant (a mãe de Carla Moss), Ana Reeder (a mulher que fala com Lleewlyn Moss na cena passada junto à piscina).

Duração: 122 minutos. Classificação etária: M/18 anos. Distribuição em Portugal: Lusomundo Audiovisuais. Estreia: 28 de Fevereiro de 2008 (Portugal).

1.3 Curiosidades sobre a produção do filme.

O filme foi filmado nos Estados Unidos e no México. A princípio estava programado para ser filmado integramente no estado do Texas mas por causa dos impostos optou-se por outras alternativas. As captações de imagens foram realizadas nos Estados Unidos: em Desert Sands Motor Hotel – 5000 Central Ave SE, Albuquerque, nos Garson Studios, College of Santa Fe – 1600 Saint Michaels Drive, Santa Fe e em Las Vegas no estado do Novo México. No estado do Texas no Big Bend National Park e em Marfa. No México em Piedras Negras, Coahuíla.

A produção do filme foi feita no laboratório DeLuxe, USA, o filme tem um comprimento de 3.336 metros, o formato do negativo (mm/vídeo polegada) 35 mm (Kodak Vision2 100T 5212, Vision2 200T 5217, Vision2 500T 5218), pelo processo cinematográfico Digital Intermediate (4K) (master format) Super 35 (source format), com formato de impressão de filme 35 mm (anamorphic) (Kodak Vision 2383).

2. Contextualização

2.1 Que lugar o filme ocupa na obra do realizador

“Este país não é para velhos” (2007) é o melhor filme dos irmãos Cohen desde “Fargo” de (1996), Pelo meio os Cohen dirigiram filmes que não deixaram muitas saudades “Brother, Where Art Thou? de 2000, “O Barbeiro” o “remake” de “The Ladykillers”, e “Crueldade Intolerável”. Já depois de 2007 realizaram “Burn After Reading” em 2008 e em 2009 o filme “A Serious Man”. Na cerimónia anual dos Óscares de 2008 o filme ganhou quatro estatuetas douradas nas categorias de Melhor Filme, Scott Rudin, Ethan Coen e Joel Coen; Melhor Realizador, Ethan Coen e Joel Coen; Melhor Actor Secundário, Javier Bardem e Melhor Argumento Adaptado, Ethan Coen e Joel Coen. Durante a cerimónia ao receber um dos prémios da noite Joel Coen falou de como ele e o irmão, fazem filmes desde crianças. “Honestamente, aquilo que fazemos agora não me parece muito diferente do que fazíamos nessa altura”. O filme obteve ainda nomeações noutras quatro categorias, Melhor Fotografia, Roger Deakins; Melhor Montagem, Ethan Coen e Joel Coen; Melhor Som, Skip Lievsay, Craig Berkey, Greg Orloff e Peter F. Kurland e Melhor Mistura de Som, Skip Lievsay.“Este país não é para velhos” ganhou dois Globos de Ouro, nas categorias de Melhor Actor Secundário, Javier Bardem e Melhor Argumento Adaptado. Foi ainda nomeado nas categorias de Melhor Filme – Drama e Melhor Realizador. Ganhou 3 prémios no BAFTA, nas categorias de Melhor Realizador, Melhor Actor Secundário, Javier Bardem e Melhor Fotografia. Foi nomeado nas categorias de Melhor Filme, Melhor Actor Secundário, Tommy Lee Jones, Melhor Actriz Secundária, Kelly Macdonald, Melhor Montagem, Melhor Argumento Adaptado e Melhor Som. Ao todo, “Este país não é para Velhos” ganhou mais de três dezenas de prémios em festivais internacionais de cinema.

Filmografia completa dos irmãos Cohen

1984 Blood Simple, 1987 Raising Arizona, 1990 Miller’s Crossing, 1991 Barton Fink, 1994 The Hudsucker Proxy, 1996 Fargo, 1998 The Big Lebowski, 2000 Brother,Where Art Thou?, 2001 The Man Who Wasn’t There, 2003 Intolerable Cruelty, 2004 The Ladykillers Joel & Ethan 2007 No Country for Old Men, 2008 Burn After Reading, 2009 A Serious Man, 2010 True Grit.

2.2 Principais características formais (a forma enquadramentos e técnicas utiliz.

O filme assenta numa, harmoniosa concepção da fotografia, montagem e realização aliada a grandes interpretações com destaque para o espanhol Javier Bardem (Anton Chigurh), talvez o melhor psicopata desde Antony Hopkins no papel de Hannibal Lecter em “O silêncio dos inocentes”. Bardem com este papel foi o primeiro espanhol a obter um Óscar.

2.3 Principais características temáticas. ( o Tema)

A violência na América profunda nos anos 80. A história de homens bons que se tornam gradualmente maus e de homens realmente muito maus a andarem em volta de um tesouro em forma de notas, extraídas de um negócio de droga que correu mal onde o único sobrevivente é um mexicano com sede ao qual Moss não tem como lhe saciar esse desejo. Moss tomará duas decisões morais que lhe irão determinar a vida, rouba a mala do dinheiro mesmo sabendo que em breve alguém irá procurá-lo por causa disso e volta ao lugar do crime para matar a sede ao homem. A partir deste argumento, os irmãos Cohen produzem um western moderno e transcendente que nos confronta, com a condição humana no que ela tem de mais terrível. Ao longo do filme são relatados de forma dramática temas tão antigos como a Bíblia e os grandes títulos ou manchetes sanguinárias dos jornais, o bem e o mal.

3. Valor de actualidade do Filme.

3.1-Cinematográfico

O filme vive através de ambiente, cinzento que mais parece uma espécie de Western moderno, a que a sua banda sonora ajuda a dar corpo. O filme vive de grandiosas imagens das paisagens Americanas.

O filme impressiona principalmente pela força do personagem interpretado pelo espanhol Bardem, transparecendo deste, alguém irreal que junta a toda a sua brutalidade um corte de cabelo “à tijela” que nada tem a ver à partida com a personagem, reforçada pelos planos contra-picados que ajudam a ampliar o personagem.

Nele surgem referências a Fargo (outro dos filmes com Óscar dos irmãos Cohen) e também a Tarantino e mesmo a Wim Wenders, sendo, no entanto, mais realista e credível, do que o do primeiro, e menos nostálgico e romântico, Wenders.

3.2-Temático

Em tempos de profunda crise na América, de um conflito cada vez com mais intensidade entre gangs mexicanos ligados ao tráfico de droga e humanos, do regresso de soldados (na maior parte das vezes oriundos da América profunda, onde são mais fáceis de recrutar, como podemos testemunhar no documentário de Michael Moore 9/11) veteranos não do Vietname, mas do Iraque e Afeganistão marcados pelas consequências psicológicas do efeito desses conflitos, o tema da violência tristemente tem toda importância e actualidade, não fosse este o país dos massacres nas escolas, centros comerciais, empresas, etc, perpetrados por pessoas possuídas pelo desespero, de uma humanidade desgarrada e claramente à deriva.

Assim o filme faz o retrato da sociedade actual americana, nomeadamente o desajustamento dos mais velhos ao mundo em que vivemos, por já não se identificarem nos valores vigentes.

Discussão

4. Qual a ideia do realizador e como a desenvolve.

A ideia que o(s) realizador(es) segue(m) não diverge do livro de Cormac McCarthy, na qual é baseada esta história, em torno dos acontecimentos desencadeados depois de Llewelyn Moss (Josh Brolin) resolver tornar sua a mala encontrada num cenário de morte resultante de um negocio de droga que correu mal. A posse dessa mala desencadeia varias perseguições entre elas a de um, psicopata (Javier Bardem) que mata friamente e sem emoção. Um personagem da qual só se ouviu falar pois quem com ele encarou, não sobreviveu. Essa personagem é Anton Chigurh que se passeia com um mortífero pneumático na mão (uma arma improvável e ao mesmo tempo dramática) e com uma única ideia na cabeça: matar, matar, matar.

Na historia corre ainda paralelamente, a tentativa de evitar por parte do Xerife Ed Tom Bell (Tom Lee Jones) o mais que certo destino de Llewelyn Moss. Há uma certa resignação fatalista na fala deste homem, veterano da Guerra do Vietnam, mas há também nele um mínimo de humanidade, o bastante para, através de um gesto compassivo, arriscar. O que lhe sucede a seguir adivinha-se: o moribundo entretanto já morreu e ele passa a ser perseguido por aqueles que querem a todo o custo recuperar os dois milhões de dólares. Uma boa parte do filme tem como motivo esta perseguição, mas o que dela avulta é a personagem que vai ser o rosto do perseguidor (Anton Chigurh/Javier Bardem). De assassinato em assassinato, Chigurh prega a sua própria moral, não tendo nunca inimigos por nenhum deles estar (ou ficar) vivo, matando rivais e inocentes de preferência com tiros na cara, alguns deles precedidos de discursos macabros, invocando-se como bastião da coerência num mundo onde, tal como a própria natureza, apenas se limita o cumprir o seu papel sem excepções.

Vítima de alguma ingenuidade apesar do seu carácter duro, a obstinação de Moss tem um adversário aparentemente invencível pela sua frente, que, não contente em simplesmente apanhar o dinheiro, faz questão de o vir a devolver ao seu dono como prova de uma lealdade absurda num mundo de confrontos sanguinarios que gira em volta do comércio de droga. È pois, podemos assim definir um dramático western actual cheio de surpresas no desenvolvimento da sua historia.

5. Como é conduzida a dramatização?

No filme é recriada a terra seca, cheia de pó, aparentando uma terra de ninguém, sem dono onde manda a natureza, ao qual se transmite a quem nela vive, ou melhor sobrevive, através de uma dureza de comportamentos com a agressividade de uns, a frustração, desalento, desilusão e desespero de outros.

Na historia, que é a da ganância e determinação quase sobre-humana de Moss, à medida que este procura escapar aos seus perseguidores o filme simultaneamente desmonta o género do crime dramático americano e alarga os seus interesses para abordar temas tão antigos como a Bíblia ou os modernos grandes títulos ou manchetes com os mais horríveis crimes publicados nos jornais. Mas o “espírito” do filme concentra-se também numa terceira personagem, o xerife interpretado por Tommy Lee Jones, que entre o nostálgico e o perplexo vai passeando o seu não reconhecimento pelo rasto de sangue deixado pela passagem dos outros dois. Num certo sentido, é o xeri fe, o “old man”, a personagem mais sofrida, e a que transmite o olhar não só sobre a acção, uma encruzilhada complexa de actos e emoções, mas também sobre o estado de comportamentos e valores da América, quando a dado momento no filme afirma: “As pessoas dizem que foi o Vietname que pôs este país de rastos. Mas eu nunca acreditei nisso. O país já estava em muito mau estado. O Vietname foi só a cereja em cima do bolo. Não sei o que vai acontecer quando vier a próxima.

O xerife representa não só um tipo inteligente e perspicaz, mas também um tipo cansado e sente-se já ultrapassado pelas novas regras do jogo, ou pela ausência delas. Devido a isso, chegará sempre atrasado, e a sua derrota simboliza também a impotência da lei

6. Originalidade estética

A estética do filme assenta sobretudo na paisagem natural, nas estradas, nos míticos elementos urbanos americanos, como os motéis e os “diners”, etc. É aí que os Coen colhem o essencial dos seus décors. O filme vive também da aridez dos diálogos, da descrição das paixões e também da violência fortuita, representado pelo melhor psicopata desde Hannibal Lecter de Anthony Hopkins, por Javier Bardem.

O filme conta-nos sobretudo o retrato de uma sociedade doente e mal tratada, que mostra as aparências e deixa as feridas enterradas, com tendência para a tendência para a estereotipar, ou cartoonizar personagens e referências da América sulista e rural.

Impressionante é o facto de apesar de toda a brutalidade de algumas cenas, estas deixarem passar a ideia de um excelente humor negro. Eis dois exemplos.

Llewelyn Moss: Se eu não regressar diz à minha mãe que eu a amo.

Carla Jean Moss( a munlher de Llewelyn) : A tua mãe morreu.
Llewelyn Moss: Então digo-lhe eu mesmo.

O homem que contracta Carson wells: (sobre Chiburg) Mas quanto de perigoso é que ele é?
Carson Wells: Comparado com o quê? Com a peste bubónica?

7. Conclusão Pessoal

Este è um filme que à partida me suscitou logo curiosidade pelo titulo. O porquê de um país não existir para os seus velhos. Ao longo do visionamento do filme, fui-me questionando cada vez mais, o que tinha afinal o título tinha a ver com o conteúdo?

Só na parte final do filme comecei a perceber a força do personagem do xerife. Todos os “old man” são encarnados pela personagem de Tommy Lee Jones, que se sente um inadaptado a um novo mundo, em que a ausência de antigos valores faz com se sinta a mais num mundo que deixou de ser o seu.

Este filme tem todas as condições para ser considerado daqui a alguns anos, um filme obrigatório para quem gosta e cinema, não só porque, na realização está os irmãos Cohen, realizadores de culto do cinema actual americano, mas também pela actualidade do tema e as questões que nele se inserem.

Cada vez mais transparece que o antigo oeste selvagem dos ladrões de gado deu agora lugar a traficantes de droga e que as pequenas cidades aí existentes transformaram-se em campos de tiro e de todos os negócios ilícitos importados pelos novos tempos.

No final só uma pergunta, quem é que ficou com o dinheiro?

Os mexicanos ou o terrível Chiburg?

Só por isso, o filme deixa-nos a pensar, e quando isso acontece o filme permanece vários dias no nosso pensamento, caso raro hoje em dia.

Webgrafia: http://en.wikipedia.org/wiki/Coen_brothers

http:/www.imdb.pt/title/tt0477348/

http://cinecartaz.publico.pt/filme.asp?id=191769

http://www.cinema2000.pt/ficha.php3?id=10571

Docentes: Catarina Vidigal

Luís Vidigal

Discente: Rui Bexiga nº. 090236014

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