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Valores Sociais e Ideologias

Introdução

Vivemos hoje, numa sociedade onde a crise de valores é cada vez mais nítida, fruto das alterações sociais e organizacionais, particularmente sentida nos conflitos geracionais, às quais se juntam as crises económicas, que por empatia se alastram e sacodem a estabilidade social.

As sociedades acuais, caracterizam-se na sua “genética”, por assentarem em conceitos organizacionais que defendem normas, instituem e fazem cumprir regras, que defendem ideologias, ou vários tipos de associativismo e de corporativismo, focando muitas delas, conceitos de organizações positivas, aquelas que nesta abordagem, tentaremos contextualizar.

Tentaremos aqui, salientar o enfoque social dado aos Digital Native versus Digital Immigrants, pois nestes encerra uma questão atual de convivência social e profissional. Será aqui, no “conflito geracional”, que as grandes reformas sociais ao nível dos valores devem ser feitas, sob pena de se perderem as conquistas norteadoras do pensamento contemporâneo, muitos delas obtidas com o advento da Revolução Francesa.

Se falar de Liberdade, Igualdade e Fraternidade no final do séc. XVIII já era posicionar o pensamento sobre a sociedade num patamar nunca antes visto, manter esses valores torna-se, nas sociedades contemporâneas, onde “o futuro é já hoje”, igualmente difícil. A instabilidade tende para o caos e as sociedades procuram o equilíbrio, através do bem-estar dos seus cidadãos. Daí a necessidade de haver uma cultura social e organizacional baseada na qualidade de vida percebida, ou seja, a percepção do indivíduo sobre sua posição na vida, no contexto da cultura e dos sistemas de valores nos quais ele vive, e ainda em relação aos seus objectivos, expectativas, padrões e preocupações.

“Valores Sociais e Ideologias”, o tema escolhido para ser desenvolvido, foi-o precisamente, pela empatia que criou no grupo no ato da escolha e pela pertinência da questão na sociedade em que vivemos.

1 – Breve abordagem ao tema

    Não seria possível compreender valores sociais e conceitos ideológicos ou perceber o que levou à existência de certas formas de política, sem fazer uma abordagem histórica. Nem seria útil dissertar sobre estas, sem saber à partida, o que se entende por Organização.

“Valores Sociais e Ideologias”, afinal do que falamos quando abordamos os temas que foram o motor de muitas convulsões sociais, que moldaram o pensamento do Homem e a geografia política dos continentes, que ditaram novas formas de encarar as relações de convivência em sociedade. Partindo da ideia de que não pode existir indivíduos sem sociedade nem sociedade sem indivíduos, deve entender-se Sociedade como um agrupamento de indivíduos de uma determinada espécie, que se reuniram segundo determinadas normas e concorrem juntos para a realização de determinados objectivos. Pode-se definir ainda, sociedade, como sendo um grupo extenso e duradouro, que se junta num espaço e que responde a uma necessidade primeira de apoio e proteção, uma tendência fundamental no homem, sendo mais fácil essa aquisição vivendo em conjunto. (diz respeito a todos os seres vivos, incluindo os animais).

Esses grupos unem as suas individualidades, estruturando-se pelas suas dependências recíprocas e tendem para o desenvolvimento. Geralmente quando se fala de sociedade, fala-se do ser humano, e neste caso é o conjunto no qual a vida do homem está integrada, tendo em conta as suas ocupações, os seus desejos e os seus atos. Estas sociedades têm um carácter mais dinâmico, já que mais facilmente tendem para a mudança e para a evolução.

Cada vez mais a sociedade moderna tem um carácter urbano, transformando-se numa multiplicação dos centros de interesse relacionais e tendo como objectivo o desenvolvimento, já não meramente pessoal, mas da comunidade, que, com o seu percurso, servem de alicerce ao desejável bem-estar positivo no seio das organizações. (In Diciopédia X [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2006. ISBN: 978-972-0-65262-1)

“Recorrendo ao conceito clássico, podemos definir qualquer organização, como um conjunto de duas ou mais pessoas que realizam tarefas, seja em grupo, seja individualmente, mas de forma coordenada e controlada atuando num determinado contexto ou ambiente com vista a atingir um objectivo determinado através da afectação eficaz de diversos meios e recursos disponíveis, liderados ou não, por alguém com as funções de planear, organizar, liderar e controlar.”

(www.notapositiva.comTrabalho de professores, Textos de Apoio – Paulo Nunes – Economista e Consultor 2005)

Como Organização deve entender-se como um sistema interpessoal de esforços humanos coordenados ou como um sistema de papéis sociais, em que o papel social é definido pelas normas sociais (1997, Gold – A new outline of social psychology. Washington: American Psychological Association).

A organização apresenta, ao mesmo tempo, uma estrutura – que define o tipo de inter-relações que podem existir entre as unidades ou entidades que a compõem – e um processo – definido pelo modo como se constituem as unidades ou entidades e o tipo de interacções que as ligam (Thinès e Lempereur, 1984). In Diciopédia X [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2006. ISBN).

Por isso, julgou-se fundamental a compreensão dos conceitos inerentes às questões sociais e ideológicas, que tentaremos abordar num contexto de bem-estar psicológico, somente alcançável em organizações positivas, e enquadra-las nas sociedades atuais.

Assim, convém ter presente o seguinte:

A qualidade de vida percebida decorre de um conjunto complexo de factores que promovem a dignidade da pessoa enquanto ator dos desafios que as organizações subscrevem.

Adaptação, é uma palavra forte que deve ser encarada como uma (entre várias), fundamental para ultrapassar os constantes desafios, sendo a inteligência emocional a capacidade para:

- auto controlo; conhecer as próprias emoções (reconhecer um sentimento quando este ocorre

- guiar as emoções (manejar sentimentos para que sejam adequados);
auto-regulação controlar a própria motivação (ordenar emoções ao serviço de um objectivo);
inter-pessoal reconhecer emoções nos outros.

Organizações positivas pressupõe sociedades positivas e o equilíbrio das últimas faz funcionar a economia, augura a Paz e o bem-estar instala-se.

“Tudo o que é necessário para o triunfo do mal, é que os Homens de bem, nada façam”

Edmund Burke

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